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23/12/2005 20:40
Os olhos, em lágrimas,
vislumbram quase nada.
Apenas sombras difusas,
confusas, na longa estrada.
Os olhos, sem brilho,
acomodam nas retinas
o pequeno filho
- coração em serpentina.
Os olhos não são olhos,
são apenas luzes apagadas,
pregadas ao rosto disforme.
Os olhos, não reais olhos,
são vidraças embaçadas,
embora eu não me conforme.
[poema de 25/09/1974]
enviada por MoonSol
23/12/2005 20:33
não é o saber-me triste
o que me dói mais
é o ver-me pequeno
na lida do mundo
é o escorregar-me pelos becos
escondido e fugido
medrosos de meus anseios
covarde de meus amigos
de rastro no frio chão
sem fitar os olhos de ninguém
verme medroso e insignificante
lambo a terra escura
escondo a cara suja
pelas valetas caio morto
[poema de 14/9/1974]
enviada por MoonSol
23/12/2005 20:26
A cidade dorme dentro de si.
Ouve-se seu respirar convulso
- quase medroso e ambíguo.
Medroso do tic-tac do relógio
do amanhã ter que acordar
e seguir na luta inglória
de marcar passo e sofrer.
Ambíguo da vontade de viver
do sentir o gosto de respirar
e caminhar e falar e ganhar dinheiro
para afastar o medo da morte.
A cidade e os homens dormem
(sempre dormiram, aliás)
só os fantasmas saem às ruas
- eles sorriem irônicos.
Só os fantasmas sabem do medo
e da verdade ambígua.
O medo é escravo dos homens,
mas eles não sabem disso.
A ambigüidade é virtude
mas os homens não sabem disso.
Sempre dormiram
e estão sempre ambíguos e medrosos.
A cidade e os homens dormem.
Ouve-se um respirar ofegante.
[poema escrito em 25/01/1975]
enviada por MoonSol
19/01/2005 02:06
Hoje foi dia de Maria
você viu?
Se viu,
sentiu o mesmo que eu?
Se não viu,
digo somente
que se falou de espera
de grande amor,
aquele que cura
mostrou a procura
do impossível amor
que de dia é pássaro ferido
e à noite em homem se transforma
e pela dama é querido.
Enfim
Do que senti já disse
só não disse que hoje
devia era de ser
dia de Bela B
que aqui estaria comigo
estendendo seu braço amigo
acarinhando,
beijando,
amando.
Hoje havera de sê
o dia da Bela B.
AH! Bela B....
há quanto não lhe escrevia um poema
não fluíam as palavras
não brotavam as imagens....
foi preciso sofrer
ver pela TV
a dor que sinto
eu, pássaro ferido,
que só se revela
nos recônditos,
no clandestino tempo
que temos.
E você, bonita ave,
que só pode me amar
nos escuros,
nos escusos momentos
que temos.
Mas, não há de ser nada...
daqui a pouco, bem pouco,
não precisaremos de mágicas
de máscaras
de medos...
daqui a pouco, bem breve,
poderemos mostrar
o nosso amor leve
sincero
porque será o dia de amar
porque daqui a pouco
será o nosso dia
As palavras comandam
embriago-me com o ritmo
com a sonoridade
me perco nas rimas
mas não me perco de você,
Bela B.
Estava trabalhando
corrigindo textos
avaliando
quando, subitamente,
me ocorreu o desejo
de fazer-lhe poemas
cantar meu amor
rir de gosto
ao lembrar de você
de seu gozo
reviver o gosto
de seus beijos
daqui a pouco
retomo o trabalho
que certamente
será muito mais leve
porque levo comigo
o sabor de seu sexo
o prazer de seu corpo
o sentimento de seu amor
Boa noite, Bela B
a gente se vê
assim que for possível
assim que for desejável
e seremos imensamente felizes
desfrutaremos intensamente
do tempo que nos for concedido
neste tempo em que
ainda somos comandados
por remotos controles
terremotos de sentimentos
maremotos de tormentos
mas em meio a esses tsunamis
saberemos segurar a onda de nosso amor
Sobreviveremos
Sobreviveremos
para viver o nosso grande amor
na paz da hora neutra da madrugada
na malemolência das manhãs
na preguiça das tardes
no agito das noites
na certeza de que teremos
manhãs, tardes, noites, madrugadas
(não necessariamente nessa ordem)
somente para nós
viveremos
viveremos
intensamente
amadamente
eu e você
Bela B...
enviada por MoonSol
26/07/2004 23:36
Tem horas em que desconfio
a desconfiança me angustia
a angústia me assusta
o susto é não tê-la mais
ao meu lado
Tem horas que não passam
porque não sei onde você está
não sei o que faz
nem com quem faz
e por que faz
ou não faz?
Tem horas que não recebo
qualquer sinal
qualquer palavra
e me esforço
para não entender
sua total ausência
como um dolorido
tchau
enviada por MoonSol
20/07/2004 10:47
Poemas desesperados
I
Da minha solitude
sei a dor.
Da minha dor
sei a cor.
Da minha cor
sei o amor.
Do meu amor...
não sei
onde está!
II
O cigarro é minha companhia
nesta fria noite.
Quem dera minha boca
em outra forma de beijo!
O cigarro é meu companheiro
nesta noite fria.
Quem dera outro calor
para aquecer minha solidão!
O cigarro é meu parceiro
noite fria... fria.
Quem me dera ter meus dedos
tocando outros contornos
(aqueles que, quando toco,
vibram e te fazem gozar)
III
Não inveje minha liberdade
que é feita das grades
de uma paixão
que me põe aceso
a esta hora da madrugada.
IV
Um dia sonhei
a mulher mais linda do mundo.
Uma noite acordei
e pensei tê-la visto
junto de mim.
Uma eternidade vivi
na esperança
de que ela estaria comigo.
Um poema escrevi
inventando um tempo
em que ela nunca mais
fugiria de meu coração.
Uma leitora
(a mulher mais linda do mundo)
talvez esteja rindo
das insanidades
deste poeta
que constrói versos
quando deveria estar dormindo.
Um leitor qualquer
talvez gargalhe
ao ler estes versos
escritos na solidão
na dor de uma espera
na angústia de um abandono.
V
a menina que saiu do interior
alçou altos vôos
carregou esperanças
amealhou experiências
arrasou corações
a menina que está em meu interior
parece com medo
de um remoto controle
hesita
evita usar as asas
quer apagar as esperanças
não viver novas experiências
fechar o coração
ah menina
faça isso, não
volte para o interior
de si mesma
releia os planos
escritos no sabor
da paixão
do prazer
reencontre-se
VI
A doçura de teus beijos
A maciez de teus cabelos
O menear de teu corpo
O sabor de teu gozo
O prazer de teu sexo
Me põem louco!
VII
Um dia meu amor
me falou do carvão
que traça esperanças
no papel virgem
Um dia meu amor
me falou dos traços
que regem caminhos
à margem
Um dia meu amor
me falou de mim
voragem
Um dia meu amor
me falou te amo
vertigem
VIII
Não quero dormir
que maçada quererem
que eu seja morfeu
logo eu que
da noite sou amigo?
Não quero fechar meus olhos
que mancada quererem
que eu veja o vazio
logo eu que estava tão pleno
de um amor que partiu?
Não quero lágrimas
que maçada quererem
que eu seja romântico
e faça versos, sinta o spleen
logo eu tão lógico,
tão espertim?
Não quero pena
quero apenas
a volta de minha amada,
que de tão distante
parece-me hesitante.
IX
A fumaça que sai de minha boca
traça um contorno feminino
cria um rosto fulgurante
inventa uma mulher
Porém, logo
a fumaça se esvai
o meu peito chora
o meu semblante cai
X
há dez dias
não vejo meu amor
há dez dias
sofro essa dor
semelhante a uma perda
há dez dias
não sei o que é beijar
há dez dias
não sei o que é amar
semelhante a um desespero
há dez dias
não sei o que fazer
há dez dias
não sei o que buscar
semelhante a uma bússola sem norte
há dez dias
ainda para sofrer?
há mais dez
por desesperar?
haverá outros dias
para o nosso amor?
XI
Não estou nem me importando
se você lerá todos os poemas
Acho que escrevo para mim mesmo.
Preciso desafogar
todo este sentimento retido.
Preciso mergulhar nesta insanidade.
Me deixas louco.
Não estou nem me importando
se com essa minha insanidade
eu te perco!
Não estou nem me importando
se você disser que não virá me ver.
Estou completamente perdido!
Não bebi uma gota de álcool
e pareço bêbado.
Não cheirei,
não fumei baseado
e pareço maluco.
Não estou nem me importando
com as horas que passam
e me sufocam.
Não estou nem me importando
comigo mesmo!
enviada por MoonSol
18/07/2004 10:57
Nosso tempo: intensidade
alta potência.
Por isso se alonga
estica todo para caber
nosso amor
nosso jeito
de fazer amor.
Nosso tempo: liberdade
livre para envolver
nosso desejo
nosso gozo.
Nosso tempo: companheiro
amigo para abrigar
todo o tempo necessário
para que nosso amor
se enraize
floresça
frutifique.
Nosso amor: nosso tempo!
enviada por MoonSol
13/07/2004 02:03
Vivos e ariscos
Tudo o que nos move
é a certeza
de que não temos certezas.
Temos, então, que arriscar.
E afinal é disso que é feita a vida.
Somos otimistas em potencial.
Por exemplo, subimos em um avião
e nem discutimos a hipótese
de que ele possa cair.
Pior ainda,
andamos de carro
pelas ruas e estradas de nossas cidades
e cuidamos que chegaremos ao nosso destino
(de vez em quando,
ao ver um ônibus
ou um caminhão
em sentido contrário ao meu,
vejo a morte bem próxima...).
E vamos em frente:
temos filhos!
Quer otimismo maior?
Eu diria esperança.
Esperamos que tudo vá dar certo
e fazemos de tudo para que isso aconteça.
Esperamos tanto tempo
para encontrar alguém que nos compreenda,
nos tolere,
nos ame
e nos faça carinho.
Esperamos,
esperamos,
esperamos.
Temos, então,
que andar com fé.
Fé em nós mesmos,
nos outros
e, principalmente,
em quem nos ama.
Carregados de fé,
vamos adiante
e levamos outros conosco
(que acredita em nós).
A rigor,
a vida deveria ser bem mais fácil
se todos compreendessem o que nos ocorre.
Somos instáveis por natureza
até porque os estáveis
ou morreram
ou se esqueceram de deitar).
O que nos move é o desejo,
a vontade de novas descobertas,
os desafios...
Então, assim vamos nós.
Ariscos!
Correndo riscos,
porque estamos vivos.
Vivos,
porque aceitamos os riscos!
enviada por MoonSol
07/06/2004 01:19
Já é quase meia-noite.
Daqui a pouco será domingo.
Sei que não preciso dizer isso,
você sabe bem como funciona
essa coisa de sucessão do tempo.
Mas não sei se você sabe da minha angústia!
Sei que você dirá que dramatizo.
Mas você não sabe do medo
que tenho de perdê-la.
Sei que você sabe quanto amor tenho por você.
Mas você não sabe das minhas fraquezas.
Sei que você não pode estar
todo o tempo à disposição.
Mas você soube fazer isso antes.
Sei que estou assustado.
Mas não sei se você ler este poema.
enviada por MoonSol
28/05/2004 09:05
tenho tanto amor por ti
que me perco
na emoção de te ver
me encontro
no aperto de teu abraço
vivo na força de teus beijos
desejo
enviada por MoonSol
18/05/2004 01:33
não me deixes escapar
quando perceberes
que pareço fugir
me puxa
pra junto de ti
me arrasta
na correnteza
de tua paixão
me afoga
nas águas profundas
de teu gozo
enviada por MoonSol
17/05/2004 09:28
tira o medo do rosto
tira o espanto do rosto
põe o sol a brilhar
põe a luz a brilhar
enviada por MoonSol
17/05/2004 09:22
queria
não ter que esperar
não ter que me angustiar
nem te ver sofrendo
te queria
menina
nos meus sonhos
mulher
em meus lençóis
enviada por MoonSol
17/05/2004 09:13
Você não está sozinha
Procura-me nas músicas
de que gostamos
Encontra-me nas palavras
que escrevo
Penetra no sentido
do amor que temos
Encontramo-nos
no momento agora
Juntos "en la distancia"
Não estamos perdidos
Não estamos abandonados..
Estamos juntos!
enviada por MoonSol
14/05/2004 04:04
solidão
enquanto
não amanhece
vou
solitariamente
a noite sendo
enviada por MoonSol
14/05/2004 04:02
de noite na cama
corpos atados
pelos nós
do amor
untados
pelo suor
do prazer
lânguidos
pelo esforço
do gozo
enviada por MoonSol
13/05/2004 22:16
Beijo
Soube do teu amor por mim
quando um beijo de despedida
mostrou-se mais
do que um simples até breve.
E, naquele beijo,
soube que queria te beijar muito mais.
Que queria saber dos teus lábios.
Da tua língua.
E mordiscar
e lamber
e sugar
e beijar,
beijar,
beijar...
Até que, do beijo,
surgisse um espanto
que pusesse todos em pânico.
Um beijo eterno.
Um beijo-carícia
que me acaricia ainda agora
quando escrevo
beijo.
enviada por MoonSol
13/05/2004 22:10
Arrebatamento
Quando menos eu pensava
em cair de amor por alguém,
você me surgiu.
Seu rosto sereno.
Sua voz calma.
Seus gestos delicados.
E sua delicadeza em falar comigo.
Falar para mim.
Interessar-se pelas coisas
que me interessavam.
Tudo foi me envolvendo.
Quando menos eu imaginava
que um dia encontraria alguém como você,
você me surgiu.
E o que você me falava era música.
E seus movimentos eram suaves.
Muitas vezes, parecia que você não estava,
que você era líquido:
água cristalina.
E minha sede aumentava.
Quando menos eu entendia
o que estava acontecendo,
você me prendeu.
E fui ficando extasiado,
pleno de amor.
Até o dia em que compreendi
que você também estava me amando.
E eu fiquei leve.
Fiquei feliz,
tão feliz que,
não cabendo em mim
de tanta felicidade,
transbordei de intenso
arrebatamento.
enviada por MoonSol
13/05/2004 18:01
Soneto?
O meu amor anda comigo
querendo explodir meu peito
vazar pelos poros
escancarar sorrisos
O meu amor anda vibrante
como sempre
como antes
cheio de juízo
O meu amor anda
corre salta precipícios
despenca em cachoeiras
O meu amor anda
numa felicidade imensa
quebrando barreiras
enviada por MoonSol
13/05/2004 10:05
o que você me oferece
é mais do que você pensa
por isso, vê se esquece
essa coisa de recompensa!
enviada por MoonSol
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